"O compensar das Novas Oportunidades" de Sandro Pereira

Ano Letivo: 

Nem todos começam a estudar aos três anos de idade. Nem todos começam a estudar aos sete anos de idade assim como nem todos, ao completar 18 anos, ingressam na Faculdade. Não vou entrar na questão do possível excesso de licenciados ou do desemprego entre os que possuem uma licenciatura. Talvez entre na questão de que 16% da população adulta do planeta é analfabeta, segundo noticiou a imprensa, recentemente, ou seja, para cada 100 adultos no nosso Grande Lar, 16 dos nossos irmãos não sabem ler ou escrever! Logo, há quem chegue à velhice sem nunca ter ido à escola.

 Entretanto, essas pessoas trabalham, desenvolvem uma atividade da qual vem algum tipo de remuneração. O agricultor faz as suas colheitas e conhece muito daquilo que sabe fazer. Poderemos chamá-lo de ignorante se for analfabeto? De maneira nenhuma! Ele sabe plantar as uvas, cuidar da videira, fazer enchidos deliciosos para serem apreciados com uma boa broa caseira e vinho do lavrador! Há alguma broa tão boa quanto a broa caseira? Eu penso que não e ainda acrescento que o padeiro da padaria ao lado tem escolaridade comprovada! Naturalmente a primeira broa pode não ter ficado tão boa mas, com uma outra chance, fez-se outra que ficou melhor.

Outra chance. Outra oportunidade. Outra iniciativa. Outra ação. De que maneira podemos fazer a broa melhor? E o vinho? E a vida?

Claro que cada um de nós quer a melhor broa e também o que acreditamos ser o melhor para as nossas vidas. E se fossemos políticos? E se o meu filho tivesse 41 anos e ainda não tivesse terminado o ensino primário, ou o secundário ou até mesmo a faculdade? E se eu não soubesse ler ou escrever? Bem… neste caso precisamos de ajuda para progredir no nosso campo cultural, curricular, profissional…

Todos os Governos buscam solucionar a tragédia do analfabetismo. Mostra que as políticas educacionais não têm boa nota se o governo que não ajudar os seus eleitores a melhorarem em todas as áreas incluindo aí a Educação.

É justamente nesse ponto que fico aplaudindo o Governo Português, pois o vejo pagando para as pessoas estudarem quando leio folhetos, informando assim:

 Os formandos selecionados para a frequência de formações modulares certificadas poderão beneficiar, de acordo com a legislação em vigor, de Subsídio de alimentação; Subsídio de transporte (valor do transporte público; Seguro de acidentes pessoais). Por outras palavras, se fores fazer um curso de Línguas Estrangeiras, ao invés de pagares ao professor, o Governo paga ao professor, ao diretor da escola, a conta da luz da escola… e ainda paga ao aluno para que ele estude! Claro que já me inscrevi! Em qual curso? Bem... inscrevi-me para todos aqueles dos quais eu gosto ou tenha necessidade. Claro que para alguns cursos é preciso ter uma maior escolaridade e isso nem sempre é fácil.

São diversos os fatores que contribuem para não concluirmos os estudos: trabalho, família, meios de transporte, problemas económicos… não é preciso a lista ser grande, pois nem todos têm os mesmos problemas ou as mesmas dificuldades. Cada um trilha um percurso e nesse percurso aprende muitas coisas tenha ido à escola ou não.

É justamente aí que entra o projeto Novas Oportunidades! O conheci pela televisão que informava que é possível terminarmos o secundário e que para isso bastava procurar um CNO (Centro Novas Oportunidades) mais próximo de nossa casa e seríamos esclarecidos.

Eu então achei que seria uma boa oportunidade voltar a estudar. Ao chegar na EB2,3 Carteado Mena, em Darque, onde morava, iniciei o processo RVCC. Expliquei que queria concluir o ensino secundário, mas que tinha grandes dificuldades a matemática, física e química e foi aí que veio a surpresa! Lá fiquei sabendo que, ao invés de ir estudar as matérias do currículo escolar, seria avaliado por aquilo que eu já sabia! Como assim? Ora bem…Ao longo da vida adquirimos e desenvolvemos diversas competências nos vários contextos em que estamos inseridos (contexto familiar, profissional, religioso, formativo, social, etc.). O processo usado é reconhecer, validar e certificar as nossas competências!

Eu não sei fazer enchidos regionais minhotos e muito menos uma boa broa, mas ao ter o meu percurso de vida explorado pelos profissionais de RVC (Reconhecimento e Validação de Competências) foram feitos os ajustes necessários para que o somatório do trabalho fosse capaz de satisfazer os critérios de certificação e assim começou a grata aventura de ter o meu secundário concluído!

Não posso dizer que foi fácil, mas posso afirmar que todo um corpo docente se esforçou ao máximo para que eu o conseguisse e eu consegui!

 Quando mudei para Valença do Minho, procurei o CNO do Agrupamento de Escolas de  Muralhas do Minho (nome bonito, né?!!!) e fui informado pelo André Oliveira que podia pedir a transferência de CNO já que não dava muito jeito deslocar-me de Valença para Darque.

Sabe mesmo bem ter um Certificado e um Diploma do Secundário! Na hora de fazer uma inscrição num curso, já posso colocar “Secundário Completo”! Se preencho uma proposta de emprego, posso colocar…Secundário Completo”! Até mesmo o meu perfil no Facebook mudou para…Secundário Completo! Há uma grande alegria no meu coração quando escrevo… Secundário Completo!

Tendo pois concluído o Secundário que agora está Completo, já posso continuar a minha vida estudantil, sem mais o empecilho que traz a falta de um Diploma do Secundário! Hoje mesmo matriculei-me num curso de uma área de que gosto bastante e sabem onde? Numa Universidade! Universidad ICI/Global.

Na primeira quinzena de abril tenciono matricular-me num curso chamado Grado en Lengua y Literatura Española da Universidad Nacional de Educación a Distancia. Porquê duas licenciaturas? Não penso recuperar o tempo perdido. Quero apenas não perder mais tempo!

Se procura uma oportunidade, não deve deixar passar uma, chamada Novas Oportunidades. Aprender compensa!

Sandro Pereira